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RESIDENT EVIL 7: BIOHAZARD - ANÁLISE


Demorou muito, mas finalmente a Capcom acertou a mão.


     Se tem uma franquia de jogos que passou por altos e baixos, certamente essa franquia é Resident Evil. Durante seus vinte anos de existência essa franquia essa franquia de Survival Horror passou por muitas mudanças, algumas ajudaram ela a se tornar referência no gênero e referência nos jogos e outras fizeram com que o jogo de se tornasse uma referência do que não fazer em um jogo nesse estilo.
     Desde a saída de Shinji Mikami, Resident Evil passou por uma série de mudanças um tanto quanto drásticas, tanto no estilo de jogo quanto na história. Ao mesmo tempo que a Capcom fazia isso, ficava claro que Resident Evil não só estava perdendo sua identidade própria, mas, também que sem Mikami, a Capcom não sabia o que fazer com a franquia, e, esse resultado pode claramente ser visto em todos os títulos seguintes após sua saída, principalmente o Resident Evil 6, que de longe foi o jogo mais fraco da franquia principal.
Após uma leva de jogos medianos e ruins que puxavam mais para ação do que para o terror no decorrer destes seis anos, finalmente a Capcom resolveu rever suas decisões ao longo dos anos e resolveu voltar atrás nas suas decisões, nos trazendo de volta o bom e velho Survivor Horror de volta em Resident Evil 7.


     Resident Evil 7 trás de volta quase tudo o que Resident Evil havia deixado para trás, como, corredores escuros, passagens secretas, segredos, puzzles, dificuldade elevada, escassez  de munição, sentimento de impotência e o fator principal: muitos sustos! Claro que tudo isso sem deixar de inovar, desta vez utilizando um novo estilo de jogo, que faz uso da câmera em primeira pessoa, assim como em jogos de tiros, novos personagens e também várias referências a outros jogos e filmes de terror.
       O jogo conta a história de Ethan Winters que, após descobrir que sua esposa Mia desaparecida há três anos ainda está viva está em uma fazenda em Louisiana, resolve viajar até lá para descobrir se ela realmente está viva, porém, ao chegar lá, Ethan se depara com a fazenda da família Baker, onde Mia está sendo feita refém. Porém, ao chegar lá, Ethan descobre que está lidando com algo muito maior do que um simples sequestro ou desaparecimento e que a família Baker é uma família extremamente perigosa e violenta.


      O primeiro acerto a Capcom em relação ao jogo foi a mudança de personagens principais, algo que, já estava mais do que na hora de acontecer. Não que eu goste de Chris, Leon, Jill e sua turma de agentes especiais altamente treinados, mas, sinceramente já estava cansado de jogar com personagens que enfrentam essas coisas hoje em dia como se fosse um passeio no parque. Certamente ver o jogo na perspectiva de um personagem fraco, sem treino e que nunca passou por algo semelhante em sua vida é muito mais interessante. Eu gosto dos outros personagens, mas sinceramente hoje em dia eu já não aguento mais ser Chris, Leon ou Jill, por esse motivo trazer um personagem novo para mim era algo fundamental para a franquia, tanto para renovar seus ares, quanto para criar uma ambientação de terror diferenciada para o jogo.


     O estilo de câmera também me deixou um pouco assustado no começo, principalmente quando o jogo foi anunciado. Me lembro até hoje de ter dito para um amigo quando vi que o jogo seria em primeira pessoa "Pronto, agora o jogo vai virar um Call of Duty de uma vez", porém, ao contrário do que eu imaginava, o estilo de câmera em primeira pessoa faz com que o clima de terror ficasse muito maior, especialmente pelo fato de que a maioria das coisas que te assustam no jogo chegam por fora do seu campo de visão, fazendo com que você se surpreenda, ou, então chegam bem perto da câmera, causando uma sensação de desespero ainda maior, pois, a única coisa que você quer é tirar aquela coisa de cima de você.
     A câmera em primeira pessoa também ajudou muito o jogo no estilo exploração, pois sem o foco do personagem principal na tela, o jogo deixa mais espaço para o cenário em si, fazendo com que você possa ver todos os detalhes de cada cômodo, explorar cada porta, ver cada livro na prateleira da estante e até mesmo encontrar alguns easter eggs no meio, como o livro escrito pelo Clive O'brien (Personagem de Resident Evil Revelations) em meio as coisas dos Bakers. E isso causa uma imersão ainda maior no jogo. Em suma, A mudança de câmera foi uma ótima sacada por parte da Capcom.


     Resident Evil 7 também retorna com estilo de inventário que lembra muito os jogos antigos da série, inclusive com volta do bom e velho baú para guardar itens. O jogo faz com que você utilize espaços para guardar suas armas, itens e chaves, fazendo com que você tenha que saber gerenciar seus itens para acabar não carregando mais itens do que deve e acabar ficando sem espaço para carregar algum item mais importante como uma chave que serve para abrir alguma porta, fazendo com que você tenha que voltar ao baú para esvaziar o inventário ou ter que descartar algum item em seu inventário que futuramente poderá ser necessário para a sua sobrevivência.
     Além do estilo de inventário antigo em espaços, ele também tem um espaço limitado para uso de armas, fazendo com que você só possa utilizar quatro armas por vez, independentemente do tanto de armas que você tiver ou colocar no seu inventário, e, mesmo após utilizar itens de aumentar o número de espaços do inventário, o número de armas que você pode utilizar ainda continuam em apenas quatro armas. Isso faz com que você tenha que pensar bem antes que escolher que tipo de armamento você vai utilizar em determinadas momentos do jogo, como batalhas com chefes ou momentos em que você está sendo perseguido por membros da família da Baker ou atacado por monstros.
    O jogo também trás volta com o sistema de combinação de itens, só que desta vez o uso desta opção é mais relevante. Ao contrário dos últimos jogos da série que combinar só servia para combinar erva verde com erva vermelha, Resident Evil 7 faz um uso mais contínuo dessa opção, sendo necessário combinar itens que são chamados de "Fluídos químicos" para obter mais munição para suas armas, para usar itens de cura ou para utilizar psicoestimulantes, este último, entra como novidade no jogo, servindo como auxiliar para o Ethan conseguir achar objetos escondidos, como munição, itens e até mesmo chaves. Por isso, em alguns momentos você precisará escolher se você precisa mais de munição ou de um item de cura ou até psicoestimulantes para te ajudar em alguma parte do jogo. 
     Outra novidade fica por conta de um item que serve para separar os itens combinados chamado de "Agente separador", porém, ele é um item muito escasso no jogo, fazendo com que você tenha que utilizá-lo apenas em situações desesperadoras mesmo. 


     Falando em monstros, Resident Evil 7 excluiu totalmente os zumbis de seu repertório. Desta vez temos monstros chamados de "mofados" que lembram um pouco o estilo dos monstros Ooze do Resident Evil Revelations em aparência. Derivados de outra contaminação eles estão presentes em todos os cantos da casa dos Bakers. Na maioria das vezes eles não são problemas, principalmente se você for bom em jogos de tiro e quando eles não te pegam desprevenidos (a não ser que você esteja jogando na dificuldade hospício). Porém, há algumas situações no jogo em que você precisa decidir se vale ou não a pena matá-lo, pois, alguns deles exigem muitos tiros para serem mortos, mesmo você atirando em sua cabeça, fazendo com que você acabe ficando sem munição para poder enfrentar um próximo mofado em um lugar onde você não tem como desviar dele, como em um corredor estreito. Por isso, por mais fácil que a maioria deles sejam é sempre bom você pensar duas vezes antes de sair metendo bala no primeiro mofado que você ver no seu caminho. 


    O sistema de combate segue o mesmo estilo de jogos de tiro comuns, porém, o jogo possui uma quantidade muito menor de armas, sendo que as armas que mais são utilizadas no jogo é a clássica Handgun e a Shotgun. O restante das armas são mais utilizadas para momentos específicos, como batalhas contra chefes ou contra alguns inimigos mais fortes, por isso as outras armas como a Magnum, Lança Granadas e o lança chamas precisam ser utilizados com muita sabedoria, pois a quantidade de munição que você consegue destas armas mais poderosas são contadas nos dedos, e, se você sair gastando elas a esmo, muito antes da metade do jogo você ficará com um monte de armas poderosas que não poderá utilizar para nada, dificultando ainda mais sua vida no decorrer do jogo.
    Uma novidade interessante no sistema de jogo em Resident Evil 7, que pode te salvar de muitas situações perigosas é o botão de bloqueio onde Ethan consegue se defender dos ataques dos inimigos colocando as mãos no rosto para evitar de levar ataques diretos dos inimigos, porém, ainda sim tomando um dano consideravelmente menor. Porém, o botão de defesa não funciona automaticamente quando você aperta, pois, Ethan demora um pouco para se colocar nessa posição, fazendo com que você tenha que se antecipar ao ataque do inimigo para poder bloquear com sucesso.
     Resident Evil 7 possuí muitos segredos, como itens que podem ser usados para desbloquear áreas específicas ou para obter algum tipo de item ou arma e muitos destes itens são para abrir áreas opcionais do jogo, ou seja, é bem capaz de você pegar objetos como um machado de madeira, terminar o jogo e passar batido sem saber para que ele serve. O mesmo acontece com outros itens e chaves, fazendo com que você queira explorar cada pedaço da mansão para descobrir onde usar cada item. O que torna o jogo bem mais interessante nesse quesito de exploração. 
     Além disso, no decorrer do jogo também pode ser encontradas fitas de vídeo que não só auxiliam como complementos da história como também podem servir para te ajudar a resolver puzzles, encontrar certos itens e até mesmo a evitar ser morto de besteira em certas partes do jogo. Isso também foi uma sacada muito inteligente para se colocar no jogo.
    É interessante mencionar que o jogo muda dependendo da dificuldade em que você joga. Por exemplo, quando você joga no nível hospício (Madhouse), os inimigos agem de forma diferenciada e os objetos mudam de lugar. Chaves, armas e itens são colocados em lugares outros lugares do jogo, fazendo com que tudo que você tenha decorado na primeira jogada não sirva para muita coisa. Além disso alguns inimigos agem de forma diferente, como o Jack que se movimenta muito mais rápido pela casa, aparecendo do nada na sua frente quando você pensa que o despistou, quase como se fosse o Jason nos filmes do sexta-feira 13. Isso, faz com que você tenha que explorar novamente a casa de ponta a ponta para encontrar os itens e armas necessárias para avançar no jogo, tornando seu fator de replay muito mais legal, pois jogá-lo em outra dificuldade acaba se tornando uma experiência completamente nova.

  
     Para quem gosta ou é fissurado em filmes de terror, logo de cara vai notar que o jogo bebeu de várias fontes do gênero como "Evil Dead", "Massacre da Serra Elétrica", "Jogos Mortais" e até mesmo "A Bruxa de Blair", onde tem uma cena do jogo que se passa no porão que é igual a cena final do filme, (como pode ser visto na imagem acima). Fora que não tem como deixar de citar os personagens de filmes do Rob Zombie como "O Rejeitados pelo diabo". Basta olhar para o jeito sádico e carismático da família Baker para associá-los na hora as personagens do Rob Zombie.  


     Falando da família Baker, eles literalmente parecem terem saído de um filme do Rob Zombie, pois, são tão sádicos a ponto de você sentir ódio e vontade de matá-los de qualquer jeito e ao mesmo tempo tão carismáticos que você não consegue deixar de não admirar e gostar de todos.
     Cada membro da família Baker tem uma personalidade própria e seu próprio modo de agir no decorrer do jogo, fazendo com que as batalhas contra eles sejam memoráveis e ao mesmo tempo assustadores. Isso sem contar que em alguns momentos você se sente uma sensação de desespero gigantesca quando você abre alguma porta da casa e se depara com Jack ou Marguerite rondando a casa. Nesse momento só te resta duas opções, tentar lutar, desperdiçar munição e acabar morrendo nas mãos deles ou fugir o mais rápido possível, mostrando o quão impotente Ethan pode ser em certos momentos do jogo, como qualquer outra pessoa normal seria em um lugar como esse.
     Do mesmo jeito que Resident Evil 7 utilizou vários filmes de terror como referência, não tem como negar que ele acabou bebendo de outras fontes de filmes de terror como o "Silent Hill P.T" iria utilizar o mesmo esquema de câmera e terror antes de ser cancelado, mas, se você parar para pensar ele também faz referência a outro jogo da série "Silent Hill", pois, a história principal do jogo também lembra muito a de "Silent Hill 2" já que ambos tratam do desaparecimento de sua esposa e da busca pelo marido por ela em meio a um local cheio de bizarrices e monstros. 
      Além disso, Resident Evil 7 também pegou um pouco da franquia "F.E.A.R" em seus jogos. Não tem como não associar Eveline e suas alucinações com cenas do jogo, isso sem contar que F.E.A.R utilizou o sistema de primeira pessoa bem antes que "Silent Hill", podendo até dizer que talvez ele tenha bebido mais nas fontes de "F.E.A.R" do que de "Silent Hill". Em suma, Resident Evil 7 uniu tudo de bom relacionado a terror e misturou em um único jogo de modo satisfatório.


      Claro que nem tudo em Resident Evil 7 é uma maravilha. Por isso, agora vamos falar de alguns problemas presentes no jogo.
      Uma das coisas que mais me chateou no jogo foram os puzzles. Resident Evil sempre foi famoso por Puzzles tão difíceis e complexos, que muitos precisavam apelar para detonados ou explicativos para conseguir resolver algum Puzzle e poder avançar no game. Infelizmente isso não se aplica ao sétimo jogo da franquia, que, conta com Puzzles tão ridículos que é praticamente impossível você não conseguir resolvê-los na primeira tentativa. Isso sem contar que todos eles são iguais! Basicamente consistem em você  utilizar um item especifico na luz da parede para formar a sombra de um objeto. Sinceramente, é mais difícil você encontrar os itens certos para colocar no puzzle do que resolvê-los.       O único puzzle diferente e realmente interessante é a sala de testes do Lucas, pois, para iniciantes o local pode contar com uma surpresa muito desagradável, porém, caso você encontre a fita que mostra a resolução do Puzzle, a única surpresa do jogo acaba indo por água abaixo.
     O que também me incomodou durante o jogo foram os gráficos do jogo. Não que eles estejam feios ou coisa do tipo, eles estão ótimos para os padrões atuais, porém acontecem muitas coisas estranhas no jogo, como cenários ficarem com a imagem borrada e do nada eles irem se formando na sua frente até ficarem visíveis. Um problema que provavelmente se deve a falta de Loads no decorrer do jogo.
    Falando em loads, o jogo só possuí uma tela de load o jogo inteiro e alguns loads em cenas esporádicas como quando você assiste fita de vídeo. Só que, quando falamos load, coloque muita ênfase na palavra LOAD, pois, de longe é um dos loads mais demorados que já vi em jogos. Se bobear ele consegue ter uma tela de load bem maior que a de jogos com cenários gigantescos como "GTA V" e "The Witcher 3". 
      A história, apesar de ser ótima, também acaba sendo um problema, pois, deixa muitos e muitos buracos, e, quando você termina o jogo, você fica com mais perguntas do que com respostas, e,  todas elas vão ser resolvidas advinha de que maneira? Via DLC, é claro! Isso deixa uma sensação de que os produtores do jogo fizeram isso de propósito para termos que gastar mais dinheiro comprando as DLCS para obtermos algumas respostas para as nossas perguntas da trama principal, o que é uma grande sacanagem por parte da Capcom. Principalmente quando o Seasson Pass custa quase metade do valor do jogo (R$ 91,90 para ser mais exato).
      Ethan também pode ser considerado um problema, já que, ele não é o tipo de personagem que esbanja carisma nem um personagem que faz com que você tenha alguma ligação, pelo contrário! Ethan Winters é praticamente um avatar controlado por você que não possui uma personalidade definida e nem muitas falas no decorrer do jogo. Na verdade dá para contar nos dedos o número de vezes que ele fala no decorrer do jogo, fazendo com que o espetáculo de atuação e carisma acabe ficando por conta dos outros personagens como a família Baker, Mia e até mesmo Eveline, enquanto Ethan acaba tendo o papel mais de espectador controlável da trama do que de personagem principal. Creio que os produtores fizeram isso de propósito, para que o jogador tivesse maior imersão no jogo, porém a execução acabou não sendo tão boa assim, fazendo com que o personagem não seja nada além de um avatar controlável para o jogador, tão sem carisma e sem importância que quando o jogo acaba você está mais preocupado em saber o que aconteceu com os outros personagens do que com Ethan.
       O final do jogo também foi algo muito fraco! Após várias batalhas incríveis com os membros da família Baker, ver um chefe final do qual você nem sequer precisa lutar com ele para ser derrotado é algo bem decepcionante, principalmente pelo fato das batalhas finais sempre serem os ápices de quase todos os jogos da franquia Resident Evil.  


    Não tem como negar que novamente a Capcom conseguiu se reinventar com a franquia e o mesmo tempo trazer de volta o verdadeiro Survival Horror, com direito a vilões carismáticos, muita violência, e alguns sustos inesperados, Resident Evil 7 é de longe um dos melhores jogos de 2017 e certamente o melhor jogo que leva o nome Resident Evil nos últimos sete anos.
    Resident Evil 7 é uma experiência obrigatória não só para todos os fãs da franquia como também para fãs de filmes e jogos de terror em geral. Agora só nos resta esperar e ver o que nos aguarda nas futuras DLCs que a capcom vai liberar para responder as várias pontas que ficaram soltas. 
    Minha nota pessoal para ele é um merecido 9,0 e também um lugar no meu coração como um dos meus jogos favoritos da franquia Resident Evil. 

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